Parque das Cataratas do Iguaçu registra recorde de filhotes de onça-pintada; pesquisadores alertam que nem todos devem sobreviver

  • 11/03/2026
(Foto: Reprodução)
Novos filhotes de onça-pintada são flagrados no parque das Cataratas no Iguaçu, no Paraná O Parque Nacional do Iguaçu, onde estão localizadas as Cataratas do Iguaçu, no oeste do Paraná, registrou, em 2025, dez filhotes de onça-pintada, o maior número identificado em monitoramento da espécie dentro da unidade de conservação. O levantamento, realizado pelo Projeto Onças do Iguaçu, também registrou a presença de 42 onças-pintadas na região, entre adultos e filhotes. Apesar do recorde de nascimentos, a pesquisadora Vânia Foster, alerta que nem todos os filhotes devem chegar à fase adulta. A sobrevivência depende de fatores como disponibilidade de presas, disputas por território, doenças e impactos provocados por atividades humanas. “Essa fase é uma das mais críticas, uma parte importante dos filhotes não chega à idade adulta, por fatores como ataques de outros predadores, brigas com onças adultas, escassez de presas e, sobretudo, ações humanas como desmatamento, caça de presas e atropelamentos”, diz a pesquisadora. ✅ Siga o canal do g1 Foz do Iguaçu e região no WhatsApp Dois filhots de onça-pintada são registrados no Parque Nacional do Iguaçu Projeto Onças do Iguaçu Segundo ela, ainda faltam estudos específicos sobre a porcentagem de filhotes que morrem, mas sabe-se que a sobrevivência da população como um todo depende justamente de quantos filhotes conseguem superar esses desafios e entrar na população adulta. “O dado de mortalidade de filhotes existe para os leopardos na India, onde um estudo estimou que cerca de 4 em cada 10 filhotes não chegam à independência aos dois anos de idade, o que ilustra como os primeiros anos de vida de grandes felinos são frágeis”, afirmou a Foster. Os dados fazem parte de um relatório anual feito com armadilhas fotográficas instaladas no parque, que registraram 646 aparições independentes de onças-pintadas ao longo do ano de 2025. Entre os animais identificados estão 32 adultos, sendo 14 fêmeas e 17 machos, e os dez filhotes. Para os pesquisadores, o número de nascimentos indica que a população da espécie segue se reproduzindo dentro do parque, considerado um dos principais refúgios da onça-pintada na Mata Atlântica. Leia também: 'Ele não venceu': Sobrevivente de tentativa de feminicídio que está escondida perde formatura, mas envia carta à cerimônia Economia: Produtora diz que perdeu 30 toneladas de tilápias e teve prejuízo de R$ 250 mil após oscilação de energia Entenda: Aquário a 700 km do mar que importa sal de Israel tem estoque e diz que conflito no Oriente Médio não afeta operação Trilhas estão restritas para pesquisa Em 2026, os pesquisadores do projeto estão realizando o censo populacionarl de grandes felinos - onça-pintada e jaguatirica - na região, que é feito a cada dois anos. A pesquisa motivou restrições temporárias em algumas trilhas do Parque Nacional do Iguaçu. De acordo com a direção da unidade, as limitações na circulação de visitantes vão até o dia 22 e fazem parte de atividades de pesquisa e conservação. No Polo Cataratas, em Foz do Iguaçu, a Trilha da Canafístula ficará fechada temporariamente, enquanto um trecho do Caminho do Poço Preto terá restrição parcial. A Trilha da Canafístula leva os visitantes em um trecho que margeia o Rio São João, um trecho ainda pouco visitado no Parque. Divulgação Urbia+Cataratas Segundo a administração do parque, não haverá impacto nas áreas mais visitadas, como a Trilha das Cataratas, mirantes e passarelas. Em São Miguel do Iguaçu, as restrições atingem o Polo Silva Jardim, onde equipes realizam atividades de monitoramento da fauna. As visitas turísticas à Trilha das Cataratas e às demais trilhas continuam funcionando normalmente, nos horários habituais. Monitoramento e comportamento O Projeto Onças do Iguaçu tem como missão a conservação da onça-pintada Projeto Onças do Iguaçu Entre 2024 e 2025, o projeto registrou mais onças-pintadas nas câmeras. O número passou de 41, em 2024, para 42 indivíduos, em 2025, com aumento no número de filhotes registrados. No entanto, essa diferença não registra aumento no número dos animais, segundo a pesquisadora Vânia Foster, apenas censos periódicos podem realizar esse registro. “Em espécies discretas e difíceis de observar, como a onça, o número de registros depende muito de onde e como as câmeras são instaladas e de quanto tempo monitoramos. Para saber se a população realmente aumentou, usamos censos padronizados bianuais e modelos estatísticos que estimam densidade e tamanho populacional, corrigindo essa diferença de detectabilidade”, explica. As imagens captadas pelas câmeras do projeto também ajudaram a identificar padrões de comportamento dos felinos. Onça é vista na sede do Projeto Onças do Iguaçu em Foz do Iguaçu Segundo o relatório divulgado pelo projeto, a onça-pintada apresenta pico de atividade durante a noite, principalmente por volta das 21h. Os dados mostram ainda uma divisão de horários entre predadores. Enquanto a onça-pintada é mais ativa à noite, a onça-parda costuma se movimentar mais no início da manhã e no começo da noite, o que reduz a competição direta entre as espécies. Onça-parda é vista caminhando no parque das Cataratas do Iguaçu Breno/ Ana Carolina Situação da onça-pintada no Parque Nacional do Iguaçu A onça-pintada (Panthera onca) é o maior felino das Américas e está criticamente ameaçada de extinção na Mata Atlântica. De acordo com o Painel de Especialistas em Conservação da Natureza, restam menos de 300 indivíduos no Brasil. No Parque Nacional do Iguaçu, vivem cerca de 25 onças, segundo o Projeto Onças do Iguaçu. Segundo os pesquisadores, o nascimento de novos filhotes é considerado um indicativo importante de recuperação da espécie no local, onde a população já esteve próxima do colapso. Porém, mesmo com o aumento no número de nascimentos, pesquisadores apontam que a população ainda enfrenta desafios. Entre as ameaças estão perda de presas em áreas fora do parque, doenças transmitidas por animais domésticos e riscos em rodovias próximas, que podem provocar atropelamentos de animais silvestres. O acompanhamento contínuo da população, segundo os pesquisadores, é importante para avaliar o crescimento da espécie e orientar estratégias de conservação da onça-pintada na região da tríplice fronteira. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.

FONTE: https://g1.globo.com/pr/oeste-sudoeste/noticia/2026/03/11/cataratas-do-iguacu-registra-recorde-de-filhotes-de-onca-pintada.ghtml


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