Eurípides Ferreira deu bateria de presente para paciente de 3 anos durante tratamento: 'Não era só um médico, se tornou um amigo'

  • 04/04/2026
(Foto: Reprodução)
Eurípides Ferreira: uma vida dedicada a salvar vidas As habilidades do médico Eurípides Ferreira não se limitavam ao conhecimento técnico da medicina, e o cuidado que ele oferecia aos pacientes era carregado de atenção, carinho e humanidade. Eurípides morreu na sexta-feira (3), aos 86 anos. Ele liderou a equipe que realizou o primeiro transplante de medula óssea do Brasil e da América Latina, em 1979, em Curitiba. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp O médico usou a medicina como ferramenta para mudar e salvar vidas. Entre elas, a de Robert Ramon, de 16 anos, que conheceu Eurípides aos 3 anos. Junto com a mãe, Luciana de Jesus, o menino saiu de Amargosa, no interior da Bahia, para fazer um tratamento no Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba. "O doutor Eurípides, para a gente, foi mais do que um médico. Ele foi como se fosse um membro da nossa família. A gente tinha saído do nosso estado, não conhecia ninguém, e ele foi muito acolhedor. Não era só um médico, ele se tornou um amigo mesmo", afirma Luciana. Robert ainda criança no colo do doutor Eurípides Arquivo Pessoal "O doutor Eurípides abriu os braços para a gente", relembra o amigo e ex-paciente. Ciente das dificuldades de um tratamento de saúde, em especial para as crianças, o médico tentava aliviar as angústias da situação. Foi por meio desse olhar que presenteou Robert com uma bateria, quando o menino ainda estava internado no hospital. "O Robert tinha mania de ficar batendo os brinquedos como se fossem uma bateria. Em uma manhã, o doutor perguntou a ele o que ele estava fazendo. Robert disse: 'Tô tocando minha bateria'. Quando foi à tarde, ele nos surpreendeu com uma bateria. Toda manhã, quando ele chegava, ia ao quarto para ver: "Robert, toca uma música para mim'. Aí Robert começava a fazer aquele barulho", lembra Luciana. Doutor Eurípides presenteou Robert com uma bateria como forma de aliviar as dificuldades emocionais do tratamento para a criança Arquivo Pessoal A amizade entre a família e o médico se estendeu para além das portas do hospital. Mesmo com o fim do tratamento e o retorno de Robert para a Bahia, eles nunca perderam o contato. "Ele vai deixar saudade. É sexta-feira da Paixão, dia em que Cristo deu a vida dele por nós. O doutor Eurípides também partiu nesse dia e ele também se doou. Ele doou a vida inteira dele pelas pessoas", reconhece Luciana. LEIA TAMBÉM: Vídeo: Incêndio atinge prédio histórico tombado do Instituto de Educação em Paranaguá Entenda: Empresária suspeita de fornecer passaporte falso a Ronaldinho Gaúcho é presa no Paraguai após seis anos foragida Mistério: Trabalhador agrícola desaparece, e caminhonete e sacola com roupas dele são encontradas perto de lagoa 'Leveza em um lugar de muito peso' Gabriela Verillo de Medeiros também foi uma das várias pacientes que teve a vida mudada depois que passou pelos cuidados do médico. Ela nasceu como uma esperança para um transplante ao irmão mais velho, Guilherme, que foi diagnosticado com câncer. O tratamento do rapaz deu resultado e, com isso, o transplante não se fez necessário. Mesmo assim, o material genético do cordão umbilical da menina foi congelado e armazenado. Com 1 ano e 8 meses, Gabriela foi diagnosticada com câncer. A menina que foi concebida para trazer esperança de vida para o irmão se tornou o próprio milagre e foi a primeira paciente do mundo, conforme o Hospital Pequeno Príncipe, a fazer um autotransplante. "Ele que cuidou de tanta gente, tantas crianças. Ele estava num local onde aconteciam notícias pesadas ou tristes. Ele sempre levou com muita tranquilidade, muita leveza. Era sempre uma piada, sempre alguma coisa engraçada. Ele sempre trouxe uma energia muito boa para onde quer que estivesse. Uma leveza em um lugar de muito peso". Doutor Eurípides ao lado de Gabriela e do irmão dela Hospital Pequeno Príncipe "Por mais que o Pequeno Príncipe seja um hospital, e muita coisa que acontece lá dentro seja triste, eles têm tanto carinho e tanto cuidado para que aquela criança não sofra. Seja no adesivo que vai no teto na hora em que você está deitado na maca para você se divertir olhando para o teto, seja no voluntariado, seja nos médicos que vão te visitar na hora em que você está no quarto. O doutor Eurípides e a equipe dele deixavam tudo isso mais leve, tudo mais tranquilo, não só para a criança, mas para a família", detalha Gabriela. 'Temos que oferecer o nosso melhor', disse o médico Eurípides Ferreira, médico que realizou o primeiro transplante de medula óssea do Brasil Hospital Pequeno Príncipe Eurípides liderou, ao lado do também médico Ricardo Pasquini, a equipe que realizou o primeiro transplante de medula óssea do Brasil e da América Latina. O procedimento foi em outubro de 1979, no Hospital de Clínicas de Curitiba. O paciente que recebeu o transplante foi Alírio Pfiffer, e o doador compatível foi o irmão dele. Eurípides também fez parte da equipe que realizou, em 1996, o primeiro transplante de medula óssea entre não parentes. O procedimento aconteceu graças à existência do Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome). A doadora era Suely Walton e a cirurgia ajudou a salvar a vida de uma criança de 11 anos. O médico também foi responsável pela implantação dos serviços de Oncologia, Hematologia e Transplante de Medula Óssea no maior hospital pediátrico do país, o Hospital Pequeno Príncipe. Além disso, contribuiu para transformar a instituição em um centro de referência no tratamento do câncer infantojuvenil. "Eu sempre sonhei em ser útil nessa vida, porque, dentro de toda minha formação, eu creio que temos nesse mundo uma passagem e que temos de oferecer o nosso melhor. Nunca estou satisfeito, quero sempre mais, mas creio que eu tenha contribuído um pouco para minha cidade e para meu país", afirmou o médico em 2020. Em entrevista à RPC em 2023, o médico contou que passou a dedicar a vida aos pacientes que dependem do transplante de medula a partir de uma promessa feita em 1966. "Eu fui chamado para atender uma criança com leucemia, que tinha 6 anos de idade, o Henrique. Naquele tempo, não tinha quimioterápico eficaz. Em uma tarde, eu virei para o Henrique e disse: 'Como você está?'. Ele disse: 'Tudo bem, tio. Tio, o senhor faz um favor para mim? Deixa eu morrer em casa?'". "Naquele dia eu fiz uma promessa para mim mesmo: vou fazer todo o esforço para poder curar essas crianças", relembrou emocionado. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.

FONTE: https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2026/04/04/euripides-ferreira-paciente-amigo.ghtml


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