Bastidores: O registro do efêmero

  • 28/03/2026
(Foto: Reprodução)
Enquanto atores ensaiam falas e técnicos ajustam luz e cenário, há quem acompanhe tudo em silêncio, atento ao instante em que a cena atinge o ápice. No Festival de Curitiba, esse olhar é o dos fotógrafos, responsáveis por transformar apresentações efêmeras em memória permanente. Há mais de uma década, duas profissionais acompanham de perto essa missão: a curadora e coordenadora de fotografia Annelize Tozetto, que cobre o evento há 16 anos, e a fotógrafa Lina Sumizono, integrante da equipe oficial há 17 edições. O desafio de fotografar o inesperado Diferentemente de outras coberturas, a fotografia de espetáculos exige decisões em frações de segundo, muitas vezes sem qualquer ensaio prévio. “Raramente há contato prévio com a obra. Na maioria das vezes, o encontro acontece no instante em que se adentra o teatro e as cortinas se abrem”, explica Lina Sumizono. Para ela, fotografar teatro é um exercício contínuo de descoberta: a intenção é preservar em imagem a iluminação, a cenografia e a emoção, mantendo a integridade da experiência vivida pelo público. Essa imprevisibilidade também moldou a trajetória de Annelize Tozetto. Ela entrou para a equipe em 2010, logo após se formar em Jornalismo, e afirma que o festival redefiniu seu caminho profissional. “Tudo que aprendi sobre luz e fotografia de espetáculo foi por conta do festival. Ele transformou a minha vida e a minha carreira”, afirma. O ator Gregório Duvivier em cena no espetáculo “Céu da Língua”, apresentado no Festival de Curitiba; a montagem foi uma das apresentações registradas pela fotógrafa Lina Sumizono ao longo de sua trajetória no evento. Divulgação. Rotina intensa e trabalho coletivo Durante as duas semanas de programação, a equipe de fotografia, hoje composta por dez profissionais, trabalha em ritmo acelerado. As apresentações costumam ocorrer à noite, mas as imagens precisam estar disponíveis para a imprensa e para o público já na manhã seguinte. Segundo Annelize, a edição das fotos acontece ainda durante a madrugada. “É muito puxado, muito corrido, mas a gente gosta bastante de estar ali. É uma imersão muito profunda”, diz. O trabalho também depende de sintonia entre os integrantes. Muitos atuam juntos há anos, o que facilita a construção de uma narrativa visual coerente sobre o festival. “A gente aprende muito entre nós e troca muito sobre a forma de contar as histórias”, completa a coordenadora. Imagens que atravessam o tempo O impacto desse trabalho pode ser visto agora fora dos palcos. Aberta na quinta-feira (26), a exposição “Entreolhares: narrativas visuais do Festival de Curitiba” reúne mais de 80 imagens produzidas nas últimas quatro edições do evento e está em cartaz no Centro Cultural da PUC-PR. Com curadoria de Annelize, a mostra tem como tema central o “encontro” — entre artistas, público e profissionais de bastidores. O recorte também marca o retorno do festival ao formato presencial, após a pausa provocada pela pandemia de Covid-19. “A gente queria enfatizar muito essa coisa do encontro: do público com a peça, do fotógrafo com o espetáculo e das pessoas entre si”, explica a curadora. Em 2023, apenas a equipe oficial produziu mais de 16 mil imagens, um volume que exigiu uma triagem cuidadosa para a seleção final. Registro de Annelize Tozetto mostra os bastidores da preparação do ator Marco Nanini para o espetáculo “Traidor”, dirigido por Gerald Thomas; a imagem integra a exposição no Centro Cultural da PUC-PR. Divulgação Registrar o que desaparece Fotografar teatro é, em essência, documentar algo que não se repete. Cada sessão é única, e muitas vezes o clique decisivo acontece por acaso, como em uma das imagens favoritas de Annelize, captada durante a peça “Ana Lívia”, em 2024, quando um efeito de água no palco coincidiu com uma mudança inesperada de luz. Esse caráter irrepetível é também o que mantém Lina Sumizono motivada após 17 anos de cobertura. Ao longo das edições, ela acompanhou de perto montagens que a marcaram, como apresentações do humorista Gregório Duvivier e o espetáculo “Monga”, que retrata os bastidores do universo circense. “Cada imagem carrega inevitavelmente a minha forma de ver o espetáculo”, afirma. “É um olhar que atravessa a cena e a transforma em narrativa visual”. Cena do espetáculo “Monga”, protagonizado por Jéssica Teixeira, durante apresentação no Festival de Curitiba; a montagem, que explora os bastidores do universo circense, foi um dos trabalhos que mais impactaram a fotógrafa Lina Sumizono ao longo de suas 17 edições cobrindo o evento. Divulgação. Memória coletiva do festival Mais do que registros técnicos, as fotografias acabam formando um arquivo histórico do próprio festival. Elas documentam cenários, artistas, tendências estéticas e até mudanças no público ao longo dos anos. Para Annelize, esse acervo mostra que o festival é resultado de um trabalho coletivo. “O resultado de uma foto envolve o trabalho de muitas pessoas — do ator, do iluminador, do cenógrafo. A fotografia no teatro também é uma construção conjunta”, diz. A exposição segue aberta até 26 de maio, com entrada gratuita, oferecendo ao público a chance de observar o festival sob uma perspectiva diferente: a de quem está atrás das lentes e transforma o efêmero em memória duradoura. SERVIÇO O que: Exposição “Entreolhares: narrativas visuais do Festival de Curitiba” Onde: Centro Cultural da PUC-PR (Rua Imaculada Conceição, 1155 – Prado Velho) Quando: Até 26 de maio Quanto: Entrada gratuita 34.º Festival de Curitiba Data: De 30/3 até 12/4 de 2026 Valores: Os ingressos vão de R$00 até R$85 (mais taxas administrativas). Ingressos: www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física exclusiva no Shopping Mueller - Piso L3 (Segunda a sábado, das 10h às 22h e, domingos e feriados, das 14h às 20h). Verifique a classificação indicativa e orientações do espetáculo. Descontos especiais para colaboradores de empresas apoiadoras, clubes de desconto e associações.

FONTE: https://g1.globo.com/pr/parana/especial-publicitario/festival-de-curitiba/noticia/2026/03/28/bastidores-o-registro-do-efemero.ghtml


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